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MARTA

“E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa.” (Lc 10.38).


Na pequena vila de Betânia, próxima a Jerusalém, moravam três irmãos: Marta, Maria e Lázaro. Solteiros e felizes eram estimados por todos. Marta era a irmã mais velha. Era uma moça dinâmica, disposta e muito trabalhadora. Sua casa era impecável. Tudo muito limpo e organizado. Os adornos eram escolhidos com muito bom gosto, os móveis, apesar da simplicidade, eram bem cuidados e valorizados pelo senso estético de Marta. Sendo perfeccionista, Marta também se saía bem na cozinha. Seus bolos, assados e as ceias que preparava eram saborosíssimos e recebia sempre elogios.

Não sabemos há quanto tempo eles tinham perdido seus pais, mas Marta estava no lugar de mãe para os dois irmãos. Lázaro e Maria acatavam as orientações de Marta sem qualquer questionamento. Provavelmente, Lázaro era o caçula da família, e os três deveriam ter idade aproximada à de Jesus de Nazaré.

Eles já deveriam ter tido algum contato com o Mestre, ou ouviram falar dele: de seus ensinos, de seus milagres, de sua autoridade e convicção em sua missão. Certamente Marta, Maria e Lázaro também estavam aguardando a manifestação do Messias prometido, pois eles, e todos os que estudavam e ensinavam as Escrituras, sabiam que aquele era precisamente o tempo do cumprimento profético. Jesus ia, todos os anos, a Jerusalém para comemorar todas as festas religiosas da nação, e Lucas escreve: “E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa.” (Lc 10.38).

Marta e seus irmãos estavam acostumados a ver o movimento do povo vindo para Jerusalém. Os romeiros vinham de longe, cantando pelo caminho, em grande alegria com os familiares, e repartiam histórias e experiências durante a jornada. Betânia se enchia nessas ocasiões. Havia o trânsito dos que vendiam, dos viajantes, dos que ofereciam pousadas e hospedarias. E, com a chegada de Jesus de Nazaré à aldeia, Marta se apressou e oficialmente convidou o Mestre.

Jesus a acompanhou com os seus discípulos. Ele não parava de ensinar, de responder às dúvidas e questões das pessoas, de curar os enfermos, de anunciar as boas-novas do Reino de Deus e de abençoar a todos que queriam tocá-lo. E ele entrou na casa de Marta.

A anfitriã logo começou os preparativos para servir Jesus com tudo o que tinha de bom e de melhor. Acomodação para o seu descanso, quem sabe, para os discípulos também... Arrumar o conforto para um banho ou lavar os pés... Uma pequena refeição antes da ceia. Algumas frutas, biscoitinhos... Enfim, Marta queria servir ao Senhor com excelência.

Entretanto, houve um pequeno inconveniente: é que Maria não vinha para ajudá-la. Lucas diz: “E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.” (Lc 10.39). Ou seja, Maria ficou entre os ouvintes e discípulos de Jesus, escutando os seus ensinos, e, maravilhada com o que aprendia dele, ela se esqueceu que também era anfitriã. Enquanto isso, Marta passava pela sala toda hora, fazendo sinais para Maria, chamando-a para vir ajudá-la. A situação foi ficando crítica, pois Maria não se movia do lugar. Ela queria aproveitar de cada palavra de Jesus. Cada gesto dele era alimento para ela. Cada olhar, cada ensino ia caindo como chuva em terra sedenta. A semente da Palavra nos lábios de Cristo era viva e germinava no coração ardente de Maria.

Marta, então, resolve apelar para Jesus. Não era possível mais ela continuar a trabalhar sozinha. Ela precisava de Maria para “descascar o alho”, para ir “picando a cebola”, para colocar a “toalha e os guardanapos na mesa”, para “fazer o suco”, para... E o que mais estava cansando Marta era a inércia de Maria. Ela não estava fazendo nada. Absolutamente nada. Jesus precisava ajudá-la a colocar ordem na casa. Lucas descreve o que aconteceu: “Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude. E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.” (Lc 10.40-42).

Jesus mostrou para Marta que o “perfeccionismo” coloca os olhos em coisas e perde a essência da vida. Enquanto Marta perdia tempo com flores, comida, cama, sabonete etc., ela perdia a alegria da presença de Jesus em sua casa. Ela desperdiçava seus ensinos. Ela não dava valor ao que é necessário unicamente para o ser humano: a comunhão com Cristo.

Geralmente as pessoas que se afadigam para servir ao Senhor na força de seu braço, isto é, confiando em sua capacidade e performance, estas se cansam e não recebem o elogio do Senhor. É trabalho perdido. Tente observar, querida irmã, se você não está trabalhando em vão... Cuidando do que é passageiro e deixando o que é eterno e durável para trás. Quem sabe você tem uma casa impecável, como Marta, mas não dá a atenção devida ao seu filho... Você zela por sua carreira profissional e não olha para o seu relacionamento conjugal... Você se afadiga com tantos trabalhos, até mesmo “hospedando Jesus”, buscando servi-lo, mas deixando de ouvi-lo, de obedecer às suas ordens, de colocar em prática a sua vontade...

Tempos depois dessa experiência, Marta se confronta com a realidade da doença do irmão e manda avisar Jesus. Ela tinha a certeza de que ele se apressaria para atendê-la, pois amava a Lázaro. Entretanto, o Mestre não veio logo e aconteceu a morte de seu irmão. Quando Jesus chegou, já havia quatro dias que Lázaro morrera. Será que Jesus tinha falhado com sua amizade e amor?

Marta disse a Jesus, quando o viu, que, se ele estivesse em Betânia, quando ela mandara chamá-lo, seu irmão não teria morrido. Ela sempre estava “puxando a orelha dos outros”, querendo tudo certo, e sem desculpas... Novamente Jesus lhe deu uma lição de fé: “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto?” (Jo 11.25-26). A resposta de Jesus para todo “perfeccionista” é olhar o que é essencial e não o passageiro e efêmero. E, depois, em sua lição espiritual de fé, ele mostra que ainda que tudo pareça perdido e morto, ele é a vida e a ressurreição dos sonhos e da alegria de viver.

RUTE

Disse, porém, Rute: 'Não me instes para que te deixe e não me obrigue a não seguir-te; porque, aonde que fores, irei eu e, onde que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo e o teu Deus é o meu Deus'.” (Rt 1.16.)

Rute nasceu em Moabe, uma terra pagã e imoral. O deus de seu povo era Moloque – representado por um malvado ídolo com seu corpo humano de ferro, a barriga oca, onde se colocavam brasas ardentes e fogo, para que seus braços estendidos ficassem incandescentes. E, buscando a prosperidade e abundância na colheita, os sacerdotes colocavam as crianças moabitas vivas, naqueles braços rubros, entregando-as em sacrifício a Moloque, ruflando os tambores, para abafar os gritos dos pequeninos. Era um culto satânico e cruel, como acontecia em todas as nações ao redor de Israel.

Rute, entretanto, teve a felicidade de se casar com um judeu, chamado Malom. Este era filho de Elimeleque e Noemi. Estavam morando em Moabe por causa da fome que viera sobre sua terra, Belém, da Judéia. Rute viera fazer parte de uma família feliz e especial, principalmente por causa de sua fé no Deus invisível de Israel.

Ela ouvia, maravilhada, as histórias do povo de Israel. Como Deus tirara seu povo do Egito, com mão forte e braço estendido. Ouvia sobre a travessia do Mar Vermelho, como passaram, a pés enxutos, dois milhões de pessoas e como as águas se fecharam sobre o exército egípcio que os perseguia... Como Deus enviara o “maná”, um alimento vindo do céu para alimentar, fortalecer e trazer saúde para tão grande multidão no deserto, por 40 anos. Ela ouvia sobre as conquistas de Josué, como Deus lhe dera a cidade fortificada de Jericó, de maneira sobrenatural. E, com todos esses testemunhos da história e da provisão para o seu povo, Rute creu, de todo o seu coração, e fez do Deus de Israel, o seu Deus.

O tempo foi passando rapidamente em Moabe e a tristeza do luto bateu à porta de Rute. Morreram os três homens da família, Elimeleque, seu sogro; seu esposo, Malom e o cunhado, Quiliom, esposo de Orfa, também moabita. Eram três viúvas a chorar diante de tão grande perda. Noemi, a sogra de Rute, resolveu voltar para sua terra, Belém da Judéia. Ela se despediu de suas noras, dizendo-lhes que nada mais restava para ela naquela terra de Moabe, e que ambas, por serem ainda jovens, deveriam voltar à casa de seus pais e continuar a vida. Quem sabe ainda encontrariam um bom casamento entre os moabitas... Noemi não tinha mais filhos para lhas dar e ter descendência ali em Moabe.

Orfa voltou para a sua parentela, despedindo-se com lágrimas de sua bondosa sogra, porém Rute resolveu continuar em sua companhia. Rute havia feito uma escolha radical em sua vida e não abriria mão do que havia conquistado. Ela escolhera ser uma adoradora do Deus de Israel. Ela conhecera o amor e o cuidado desse Deus glorioso com o seu povo por meio de sua história, a agora cria que poderia confiar em sua bondade e misericórdia. Ela se apegou à sogra, dizendo: [...] “Não me instes para que te deixe e não me obrigue a não seguir-te; porque, aonde que fores, irei eu e, onde que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo e o teu Deus é o meu Deus.” (Rt 1.16.) Havia no rosto de Rute uma forte convicção e ela assumira sua identidade naquela família: quaisquer que fossem as circunstâncias ao seu redor, ela iria crer na provisão e no cuidado do Deus de Israel. Agora seus olhos estavam abertos e ela sabia que o Criador do universo era suficiente para cuidar dela, de sua sogra e certamente de sua descendência futura.

As tragédias da vida sempre nos colocam em uma encruzilhada, diante de dois caminhos a escolher: ou a vontade de Deus, com grandes desafios pela frente, ou a inclinação do coração para as coisas mundanas, com conseqüências funestas e irreversíveis... Orfa retornou à velha vida, ao paganismo e cegueira espiritual, porém Rute não podia fechar os olhos ao amor de Deus, apesar de sua viuvez e atual pobreza. Mesmo que o caminho à frente pareça escuro, o passo dado em direção a Deus é seguro e, Nele, se encontra paz. A fidelidade inerente ao caráter divino nos faz caminhar em segurança, mesmo pelo “vale da sombra e da morte”...

Rute foi com Noemi para uma aventura desafiadora. Elas teriam que viajar por estradas muito perigosas, e eram apenas duas mulheres viúvas. Elas iriam chegar a uma cidade onde, em pobreza total, deveriam trabalhar com as próprias mãos e depender totalmente de Deus para o seu sustento. Nem sempre as viúvas eram respeitadas, mas a lei, dada pelo Senhor no Sinai, ordenava que seu povo, na época da colheita, não rebuscasse seu campo, mas que deixasse um pouco do produto da terra para o órfão, a viúva e o estrangeiro. E, quando chegam a Belém, era precisamente a época da colheita de cevada, e Rute foi ao campo de Boaz.

Nada do que acontece na vida, de quem se entrega ao Senhor, acontece por acaso. Deus tem o controle de tudo em suas mãos poderosas. Ele nos guia por seu caminho, quando Nele confiamos. Rute e Noemi estavam para ver o cuidado de Deus em sua história... Deus lhes tinha reservado privilégios tremendos, e que durariam para sempre, por causa de sua escolha sábia de seguir ao Senhor. Ele é o defensor do fraco e do abatido. Ele é o pai dos órfãos e marido das viúvas. Ele é o provedor daquele que coloca sua confiança em suas palavras.

Rute trabalhou com diligência e humildade, colhendo cevada nos campos de Boaz. A notícia de seu carinho com sua sogra a torna respeitada entre os belemitas. E Boaz recebe dela a proposta de ser o seu “resgatador”, o seu “goel”. Rute pede que Boaz compre as terras de Elimeleque e, casando-se com ela, levante descendência àquela família. E ele se alegra muito com este pedido. Boaz era bem mais velho que Rute e elogiou sua sabedoria, revelada em submissão e humildade: “Bendita sejas tu do Senhor, minha filha; melhor fizeste a tua última benevolência do que a primeira, pois não fostes após jovens, quer pobres, quer ricos. Agora, pois, minha filha, não tenhas receio; tudo quanto disseste eu te farei, pois toda a cidade do meu povo sabe que és mulher virtuosa.” (Rt 3.10-11.)

Há lições preciosas na história de Rute para o nosso coração. Boaz elogiou o seu caráter e colocou Rute em posição de honra. Como é importante que cada mulher de Deus seja humilde e busque a vontade do Senhor. Rute ouviu os conselhos de Noemi e se dispôs a fazer o que lhe tinha sido orientado. Quantas mulheres se perdem em experiências traumáticas por causa da tolice de suas escolhas. Vão atrás do que é passageiro e fútil. Hoje a tônica básica norteadora das escolhas, principalmente em termos de casamento, tem sido o prazer, a aparência externa e o proveito financeiro de um relacionamento.

Quantos se casam já pensando que pode não dar certo, e que, se isto acontecer, é só separar... Quantas lágrimas seriam poupadas se houvesse a busca da vontade de Deus nos casamentos... Quanto sofrimento seria evitado se houvesse humildade e sabedoria nas escolhas da vida... Quantos lares ainda estariam de pé se os conselhos de pessoas mais velhas e cheias da sabedoria de Deus fossem ouvidos... Quantas famílias bonitas teríamos, com descendentes abençoados, se nossas jovens, apesar de circunstâncias adversas, tivessem a fé firme e inabalável no Deus Vivo de Israel...

Rute pediu que Boaz a resgatasse, e entrou para a linhagem do “Messias prometido”. Ela gerou um filho, Obede, desse casamento feliz e abençoado. Obede gerou a Jessé e este a Davi. Da descendência de Davi veio o “Salvador”, o “resgatador”, o “goel” de toda a humanidade. Jesus nos comprou com o seu sangue, nos deu um nome (filhos de Deus), uma família e uma pátria, aleluia!

Para reflexão pessoal

Como você agiria, estando em lugar de Rute, quando Noemi despediu dela, falando que voltasse para sua família em Moabe? (Rm 12.1-2.)

Em que você tem baseado as suas escolhas? Na aparência das circunstâncias? Na aparência das pessoas? No retorno financeiro? Ou em Deus e sua Palavra? (Js 24.15.)

Você tem amado sua sogra? (Rm 12.9-21.)

Você tem respeitado seu marido e tem visto em seus filhos uma dádiva divina de alegria e grandes projetos do Senhor em seus planos? (Tt 2.3-4.)

Você teria suficiente humildade para “buscar cevada” junto com os pobres (executar um trabalho mais simples, aquém de sua capacidade), no momento de dificuldade financeira?

O que você acha que precisa mudar em sua vida para melhorar seu relacionamento com seus familiares? Com sua sogra? Com seu esposo?

Você já pediu ao Salvador Jesus para entrar em sua vida e resgatá-la, trazendo paz e salvação? Gostaria de fazer isso agora mesmo? Então ore, dizendo-lhe isto e entregando-lhe o seu coração. (Rm 10.9-13.)

Mulheres da Bíblia

Ana, mulher que orou

“Levantou-se Ana [...] Ela, com amargura de alma, orou ao Senhor, chorou
muito.” (1Sm 1.9a-10.)

A Bíblia nos conta a história de uma mulher extraordinária, Ana. Ela viveu no período dos juízes. Uma época em que “não havia rei em Israel: cada um fazia o que achava mais reto” (Jz 21.25). Seu esposo chamava-se Elcana, homem da tribo de Efraim, filho caçula de José.

Ana e Elcana moravam nas regiões montanhosas de Efraim, em Ramatain-
Zofim.

Ele era amoroso e procurava sempre agradar sua amada esposa, quer com palavras de ânimo, quer por meio de atitudes de honra e confissões de seu amor sincero.

Entretanto, Ana tinha uma grande angústia em seu coração: ela era estéril. Nunca poderia gerar filhos. O passar dos anos ia consolidando sua tristeza. Sentia-se incapaz de corresponder ao amor de seu marido, dando-lhe um fruto desse amor: um filho; semente abençoada para perpetuar o nome da família e consagrar a união dos dois.

Além disso, a Escritura Sagrada relata que Ana tinha uma rival: Penina. Esta era a segunda esposa de Elcana e tinha filhos com ele. Talvez Elcana tenha se casado também com Penina exatamente por causa da esterilidade de Ana... E Penina irritava excessivamente a pobre e sensível Ana, porque esta possuía o amor do marido. “No dia em que Elcana oferecia o seu sacrifício, dava ele porções deste a Penina, sua mulher, e a todos os seus filhos e filhas. A Ana, porém, dava porção dupla, porque ele a amava, ainda mesmo que o Senhor a houvesse deixado estéril” (1Sm 1.4-5.)

Todos os anos, por ocasião das festas fixas do calendário judaico, Elcana subia com sua família a adorar ao Senhor, levando seus dízimos e sacrifícios de louvor e gratidão, alegrando-se na presença do seu Deus.

Mas Ana não conseguia se alegrar nas festas anuais por causa da irritação
de Penina, [...] “pelo que chorava e não comia.” (1Sm 1.7.)
Há muitas mulheres que têm o amor do marido, são honradas por eles, mas
não se sentem realizadas por causa de sua esterilidade.
Muitas até sentem-se culpadas por não gerarem filhos. A angústia do
coração faz adoecer fisicamente.

Outras mulheres experimentam lágrimas doídas, provocadas pela irritação constante da inveja declarada de quem está tão perto, no convívio diário. Irritação que soa como um gotejar contínuo que enlouquece e faz perder a alegria de desfrutar da vida. São situações de conflito que amarguram o coração e, então, não se consegue ver o sol, mas apenas as sombras dos problemas crônicos.

O que fazer? Ana nos dá a resposta: orar.

Orar com intensidade e firmeza. Orar com perseverança na direção daperfeita vontade de Deus. Arriscar pedir a realização do sonho de sua vida. Lançar sobre o coração de Deus toda a ansiedade do coração humano e esperar, com fé, o que vai acontecer...

Parecia que as palavras doces de Elcana não conseguiam entrar nocoração de sua esposa: [...] “Ana, por que choras? E por que não comes? E por que estás de coração triste? Não te sou eu melhor do que dez filhos?” (1Sm 1.8.) Ana não poderia trazer preocupações para seu marido. Ela precisava encontrar a solução e parar com sua atitude passiva de apenas chorar. Então, após terem comido e bebido, antes de retornarem para casa, naquele ano, “levantou-se Ana [...] ela, com amargura de alma, orou ao Senhor, chorou muito” (1Sm 1.9a-10).

Ela tomou a atitude decisiva de guerrear no mundo espiritual: orar com toda intensidade, com suas lágrimas, com o coração transparente e sincero. Ana se derramou em súplicas diante de Deus. “E fez um voto, dizendo: ‘Senhor dos Exércitos, se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva não te esqueceres, e lhe deres um filho varão, ao Senhor o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha’.”

(v.11.) Ana conhecia a história de Sansão, o campeão nazireu de Deus, que falhou por causa de seu pecado, mas ela sabia que Deus precisava de um “novo campeão” para ser usado por Ele naquela geração. Ana se dispunha a dar o seu melhor para Deus e para sua nação.

Há duas coisas muito importantes na oração de Ana a serem observadas: aqui, pela primeira vez, Deus é chamado nas Escrituras de “O Senhor dos Exércitos”, “Javé Sabaoh”. Ana sabia que se encontrava em verdadeira batalha espiritual, no âmbito familiar e também nacional. Sua nação estava vivendo sob o mau procedimento dos filhos do sacerdote Eli, que deixavam as ovelhas de Israel desprotegidas diante dos inimigos.

E havia guerra também dentro da casa de Elcana, com Peninaconstantemente provocando Ana e “espetando-lhe a carne” com palavrasmaldosas. Ana então orou ao Senhor dos Exércitos. Ela creu num Deus quedomina sobre todas as coisas. Ela creu que o Senhor ouve o clamor dos fracos, indefesos e angustiados...

É muito importante que nos aproximemos de Deus crendo em suaexistência e que Ele é galardoador dos que o buscam (Hb 11.6). É preciso saber quem é o nosso Deus.

Qual a amplitude do seu poder. Qual é a dimensão do amor que Eledemonstra por seu povo. É importante saber que “não sabemos orar comoconvém, mas que o Espírito de Deus nos assiste em nossas fraquezas e intercede por nós, sobremaneira, com gemidos inexprimíveis” (Rm 8.26), aleluia! É preciso orar com fé.

“Demorando-se ela no orar perante o Senhor, passou Eli a observar-lhe omovimento dos lábios, porquanto Ana só no coração falava; seus lábios semoviam, porém não se lhe ouvia voz nenhuma; por isso Eli a teve porembriagada.” (v.12-13.) Ao orar com toda a intensidade de sua alma, Ana agorairia enfrentar um julgamento falso a seu respeito. Eli a teve por embriagada e

chamou-lhe a atenção. Ela poderia ter-se sentido ofendida e nunca mais querer retornar a Siló, perante o sacerdote Eli. Mas sua luta não era no campo humano. Sua guerra era espiritual. Sua resposta estava nas mãos do Senhor e era para Ele que ela deveria olhar. Somente para Deus.

“Porém Ana respondeu: Não, senhor meu! Eu sou mulher atribulada de espírito; não bebi nem vinho nem bebida forte; porém venho derramando a minha alma perante o Senhor. Não tenhas a tua serva por filha de Belial; porque pelo excesso de minha aflição é que tenho falado até agora.” (v.15.)

Como é importante manter os olhos postos no Senhor e não em nós
mesmos!

Como Ana nos dá uma prova de um coração firme e confiante, ao responder com respeito a quem a ofendia... Ela se explicou respeitosamente e não levou em conta o julgamento precipitado de Eli. Quantos problemas seriam resolvidos de maneira mais fácil, se as pessoas não se sentissem tão facilmente ofendidas... Muitas mulheres criam verdadeiros “cavalos de batalha” com situações e palavras que não merecem tanta ênfase.

A verdade fala por si somente; não é preciso se importar com calúnias tolas
a nosso respeito.

E o sacerdote Eli trouxe uma palavra profética para Ana: [...] “Vai-te em paz e o Deus de Israel te conceda a petição que lhe fizeste.” (v.17.) Era exatamente dessa palavra que Ana precisava: paz e confirmação da vontade de Deus em seu coração. Ela tomou posse da paz, e o texto nos diz que ela, a seguir, seguiu seu caminho e comeu, e já não era triste o seu semblante, aleluia!

Ali, naquele momento aconteceu a cura da alma de Ana. Foi quando se derramou, de coração, diante do Senhor; quando enfrentou incompreensão e calúnia e manteve-se firme em seu propósito de buscar a Deus, é que Ana experimentou a paz para prosseguir vivendo, crendo e sonhando os sonhos de Deus para si...

Hoje já não é mais preciso que algum sacerdote nos diga as palavras de Eli, pois as Escrituras nos garantem que Deus ouve as nossas orações. O Senhor deseja que lancemos sobre Ele toda a nossa ansiedade porque tem cuidado de nós, aleluia! A palavra profética para a nossa vitória em oração já foi pronunciada pelo Senhor Jesus: “Pedi e dar-se-vos-á...” (Leia Lucas 11.9-13.)

Ana se levanta no Velho Testamento como uma guerreira da oração. Ela
recebe a resposta amada do Senhor: um filho, Samuel.

Ela cumpre o voto que fizera, devolvendo seu filho para o serviço do Senhor; deixando-o no templo em Siló: “Pelo que também o trago como devolvido ao Senhor, por todos os dias que viver, pois do Senhor o pedi.” (v.28.) Não haveria melhor lugar para seu pequeno Samuel do que na casa do Senhor, no serviço do Senhor dos Exércitos, aleluia! E Ana com seu marido e o filhinho adoraram ao Senhor. Ana entoou um belíssimo cântico ao Senhor. Muitos anos mais tarde, Maria, iria cantar também a glória do Senhor e o cumprimento de sua Palavra, também por meio de um cântico semelhante ao de Ana.